Def Jam Fight for NY – Vale a Pena Jogar?

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Em todas as listas de melhores jogos de PS2, ele está lá. Sendo referenciado como um dos melhores jogos de luta para o console, Def Jam Fight For NY é sim um jogo bom, mas será que ele é tudo isso que as pessoas falam?

Eu sinto que falar sobre esse jogo é mexer em um vespeiro. Por um lado temos pessoas que jogaram na sua infância e adolescência e podem jurar que o jogo é incrível e sem erros, e eu acredito muito que a nostalgia atue fortemente nessa fala. E por outro lado temos pessoas que jogaram e apreciaram a criatividade e a importância do jogo para a época, mas avaliando o game como um todo, podem dizer que… bem… ele não é tudo isso que dizem não.

Recentemente eu joguei e zerei Def Jam e queria trazer aqui uma review que fosse diferente de tudo que eu já vi sobre o jogo. Uma review que fosse além da nostalgia, mesmo que eu consiga imaginar o quanto deveria ser legal jogar contra seus amigos usando os melhores rappers da época.

Uma review que fosse além da trilha sonora, que é realmente muito boa de se ouvir e lembra muito a época onde black, rap e hip-hop estavam em alta. Sim, existiu uma época em que rádios e programas de TV valorizavam músicas realmente boas, sei que é difícil de imaginar isso hoje em dia.

Qual a história de Def Jam Fight for NY?

Def Jam é um jogo que não envelheceu mal, seus gráficos são muito bonitos até os dias atuais e é fácil de reconhecer nossos cantores favoritos pela dublagem, que é espetacular, ou até mesmo quando eles aparecem, muito bem caracterizados com suas roupas, colares, enfim. É fácil de identificar aquelas pessoas e é um jogo que trouxe inovação em colocá-los em uma briga de rua sem limites.

Confesso que é bem legal dar uma surra no Ludacris, assim como é bem legal tomar uma surra do Snoop Dogg. E eu acho que existe uma forte influência de Celebrity DeathMatch nesse jogo. Se você não conhece esse programa, recomendo dar uma olhada, mas basicamente são episódios animados onde celebridades caiam na porrada em uma luta sangrenta e ao mesmo tempo bastante engraçada.

O jogo tem uma infinidade de personagens pra você escolher, inclusive vários deles você precisa ir desbloqueando durante o modo carreira. E é justamente a história do jogo que me pegou bastante.

Pontos positivos de Def Jam Fight For NY

Se a gente fosse pensar em DEF Jam apenas como um jogo de luta, nos moldes de Mortal Kombat ou Street Fighter antigos, eu diria que o jogo é um 10/10 absolute cinema. Mas quando vamos ver o modo carreira… aí as coisas são um pouco diferentes.

E eu preciso dizer que no começo, na primeira uma hora de jogo, eu estava adorando o modo história. Eu criei meu próprio personagem e obviamente ele começa sendo um zé ninguém desrespeitado por todos, mas vai mostrando seu potencial a medida que vai ganhando mais e mais lutas. Isso é muito legal, e retrata bem como é o início em qualquer coisa, seja no mundo da música, da luta, dos jogos, enfim… Você entendeu o que eu quis dizer.

Inclusive tem uma hora que você precisa escolher quem vai ser a sua garota, nossa eu achei essa parte sensacional. Eu adoro quando eles adicionam uma pitada maior de drama dentro da história. Como se não bastasse você querer se consolidar nesse mundo, sendo desacreditado pela outra gangue, sendo julgado pelos seus próprios companheiros. Agora a briga era também para conquistar uma mulher.

Sei lá, eu fiquei ligeiramente animada com essa parte da história, principalmente quando duas mulheres começam a brigar por você. Achei que trouxe um realismo pro jogo, a gente sabe que acontece muita talaricagem na nossa vida, imagina na vida dos famosos?

Outra coisa muito legal é a personalização tanto do estilo de luta, mas principalmente de roupas, tatuagens, cabelo e acessórios. É possível escolher até qual vai ser o material da sua corrente. Isso não muda nada na sua gameplay, mas é da hora sair por aí com um anel de diamante e correntes de ouro.

Pontos negativos de Def Jam Fight For NY

Só que é na parte da personalização do estilo de luta que eu acho que as coisas começam a ficar meio… estranhas! E só explicando aqui, é possível comprar novos golpes, aprimorar a sua força nos braços e pernas. Só que ao comprar novos golpes, eu esperava que pelo menos existisse uma breve explicação, mesmo que fosse um texto falando “olha pra fazer esse golpe você precisa apertar esses botões”. Só que não explica nada e sinceramente? Eu comprei alguns, apertei um monte de botão e simplesmente não consegui fazer nenhum dos golpes que eu tinha comprado.

Chegou um momento em que eu só aprimorava minha força, meu sangue e simplesmente parei de comprar golpes que eu não iria saber como usar.

Talvez agora você esteja pensando que eu não me dediquei o suficiente pra aprender a jogar esse jogo. Mas veja bem, eu apertei todos os botões, tentei fazer sequências diferentes, e eu queria muito que tivesse um modo treino simples só pra que eu conseguisse ver que é possível fazer esses golpes que a gente tinha que comprar. Mas não, o golpe existe, você compra, mas sabe-se lá como executar.

E eu gosto de jogos que não tem um tutorial, sério eu acho legal você descobrir as coisas sozinha, não tenho nenhum problema com isso. Mas eu realmente me perdi na hora de fazer os golpes novos e queria entender onde foi que eu errei.

E já que estamos falando dos golpes, acho que nada mais justo falar do controle do personagem. Eu vi uma galera falando que os botões eram inovadores para a época, mas eu gostaria de discordar de forma respeitosa aqui.

Acho que foi a primeira vez que eu vi um jogo de luta em que o botão bolinha fazia o personagem correr. O X fazia o personagem agarrar e só tinham um botão de soco e um botão de chute.

Normalmente, em outros jogos de luta, temos ao menos dois botões de soco e dois botões de chute. Possibilitando chutar a cabeça ou o tronco do inimigo. Mas Def Jam fez diferente! Você só tem um botão pra cada ação e raramente os golpes são direcionados. Você não consegue escolher se o chute vai ser na cabeça ou na perna. Tudo vai depender da posição do seu adversário. Se ele está no chão, automaticamente você vai dar um chute rasteiro, mas se ele estiver de pé, o chute pode ser tanto na cabeça quanto no tronco, quanto nas pernas. É meio aleatório e eu não me senti controlando totalmente o personagem.

Existem outros botões e esses sim são diferentes dos outros jogos de luta, uma menção honrosa para o analógico direito que faz com que a gente “lance um especial” ou ligue um tipo de “ira” que faz com que nosso personagem se movimente mais rápido e possa finalizar o inimigo. Também tem o L1 que ao apertar com o botão de chute ou soco, nos possibilita dar um golpe mais carregado e forte.

É claro que esse golpe carregado vai ser impedido pelo adversário, que vai desferir um golpe rápido pra cancelar a sua ação. Eu usei bem pouco esses golpes fortes durante o jogo e… pra ser muito sincera, uma grande parte da gameplay eu joguei apenas com a mão direita, enquanto a esquerda segurava meu gato no colo. Não é meme, isso aconteceu de verdade e eu fiquei surpresa em conseguir jogar um jogo de luta apenas com uma mão.

Se fossemos pensar em acessibilidade? Isso seria ótimo, uma pessoa com apenas uma mão poderia zerar o jogo. Mas pra um jogo de luta? Não fazer diferença se você aperta pra frente ou pra trás quando aplica um golpe, é muito estranho pra mim.

Por que as pessoas gostaram de Def Jam Figth for NY?

Eu consigo entender que é um belíssimo jogo de luta, principalmente pela interação que você pode ter com os ambientes e com as pessoas que estão assistindo a luta. Não que isso seja revolucionário, existiram outros jogos de luta em que era possível interagir com o ambiente, como Pit Fighter, por exemplo. Mas é legal finalizar o inimigo com a ajuda de um estranho qualquer da plateia, e eu entendo que isso abre para várias possibilidades de gameplay.

Mas ainda falando do modo história, em determinado momento você vai ficar com a sensação de mais do mesmo. Beleza, consegui finalizar todos os lutadores dessa área, agora preciso ir para essa e fazer tudo novamente. E ai, para piorar essa repetição, acontece o pior que poderia acontecer em um jogo de dominação de território, que é cair em um jogo de Super Mario.

O que eu não gostei de Def Jam Fight For NY

Sei que agora você deve estar pensando que eu sou esquizofrênica, mas me deixe explicar. Existe um momento da história em que você já deixou claro que é o melhor lutador, você está com sede de vingança pois a gangue inimiga atirou em alguns membros da sua gangue. O Snoop Dogg que é o vilão da história, já tentou te comprar de diversas formas e aí ele descobre o seu ponto fraco, a sua namorada.

Nisso ele sequestra a sua namorada e agora você precisa reconquistar todos os territórios que você dominou com a sua gangue antiga e devolver pro Snoop. Sério! Que história mais rasa e sem noção. Eu preciso dizer que detesto quando um jogo me faz me sentir burra.

Você passa o jogo todo dominando os territórios pra sua gangue, dai por causa do sequestro da sua namorada você decide trair toda a sua família, aqueles que te apoiaram e te levaram a ser o que é hoje, tudo isso para ter que lutar em todos os territórios novamente? Meio que duplicando as horas do modo história, só que fazendo exatamente o mesmo que antes?

É bastante frustrante pra mim, sinto muito se você gostou da história do jogo. Acho que a única coisa legal nessa parte é quando a gente ganha uma luta o nosso personagem não se gaba durante a cutscene. Ele fica com uma cara de pesar, como se ele estivesse sentindo muito por bater nos seus antigos amigos de gangue.

É óbvio que no final você tem 5 minutos de consciência e decide parar de ajudar o Snoop Dogg, mas a partir daí o jogo de torna um “preciso salvar minha namorada em apuros”. Caindo no gênero manjado de jogos super mario, que você precisa salvar a sua princesa em apuros. E eu tenho certeza que o Mario daria uma surra até no irmão pra tentar salvar a princesa Peach, então você entendeu o que eu quis dizer aqui.

Tem até uma cena onde você sai de um prédio em chamas carregando a mulher no colo, é legal, poderia ter feito parte da história, mas eu achei zoado esse ser o motivo pelo qual você decidiu trair a sua gangue e quase matar o líder que te apoiou desde sempre.

Ignorando esse pequeno detalhe, a luta final é dahora demais. O Snopp Dogg se mostrando uma cobra que te ataca pelas costas e tenta a qualquer custo te arremessar pela janela. Essa interação com os ambientes caiu muito bem nesse jogo, com toda certeza.

E só pra deixar claro aqui, o fato de eu não ter gostado dessa parte da história, do sequestro da moça e tudo mais, não tem nada a ver com eu achar que mulheres podem se defender sozinhas e toda essa baboseira. Eu não estou dizendo isso, mas o mesmo drama que eu gostei no começo do jogo, de duas mulheres se batendo pra ficar com o cara, foi o drama que eu achei um pouco demais durante o final do jogo e um motivo fraco pra que você decidisse trair os seus amigos.

Eu esperava um jogo mais sobre vingança e dominação, e Def Jam estava mostrando isso, até que uma hora ele decidiu mudar a história.

Vale a pena jogar Def Jam Fight For NY?

Tirando toda essa besteira de me obrigar a dominar novamente os territórios. O jogo é legal sim e valeu o meu tempo. Depois eu descobri que existem alguns cheats que você pode fazer, o que torna as coisas ainda mais legais e bem com cara de jogo de PS2.

Fazendo com que eu dê uma nota 7 de 10 para o jogo, o que é uma boa nota para um jogo de luta com todos os seus problemas de botões e histórias que eu já falei antes.

Def Jam Fight For NY é marcante e que vale a pena ser jogado. Um jogo que sobrevive ainda nos dias de hoje como um excelente jogo de luta que trouxe uma pancada de gente famosa para a trocação de soco, com uma história interessante, com alguns tropeços, mas que continua caminhando entre a honra das gangues, música e dinheiro.

Quem Teve O Surto do Dia

Fabiane Sutiak
Fabiane Sutiak
Eu sou a Fabi! Formada em Marketing Digital, com Pós Graduação em Psicopedagogia. Minha paixão é jogar vídeo games e falar sobre isso aqui no Surto do Dia, no Tiktok e as vezes no Youtube.

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