Cadash Mega Drive

Cadash: O “Dark Souls” do Mega Drive que me ensinou a ter humildade

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Recentemente, tive a experiência de jogar Cadash no Mega Drive e não poderia deixar de registrar minhas impressões por aqui. Esse jogo me conquistou e me desafiou de maneiras que eu não achava que era possível em um título de 16 bits.

A recomendação veio de leitores e entusiastas do console, e como esse nome se repetia com frequência em conversas sobre os melhores RPGs de ação, senti que precisava experimentá-lo o quanto antes.

O impacto de jogar às cegas

Uma das melhores coisas foi começar Cadash sem saber absolutamente nada. Olhando para a capa, é fácil presumir o que nos espera atrás daqueles pixels, mas eu não esperava que o jogo fosse tão punitivo e, ao mesmo tempo, tão divertido.

Apesar de defender a experiência de “jogar sem spoilers”, preciso confessar que a curva de aprendizado foi cruel. A começar pelo básico: eu nem imaginei que dava para conversar com os NPCs! Só percebi isso bem avançada no jogo, o que me deu aquela sensação frustrante de ter perdido detalhes importantes da história.

Nível de dificuldade brutal

Percebi que Cadash não era um jogo comum logo nos primeiros minutos. Você é bombardeado por porcos, caveiras com escudos e morcegos. O choque real veio quando tentei fugir em vez de lutar: os inimigos te perseguem, caem nas plataformas junto com você e te encurralam sem dó.

Esse primeiro contato foi brutal, mas nada me preparou para o primeiro chefe. Ali veio meu primeiro Game Over e a ficha caiu: Cadash não seria uma experiência tranquila como em outros jogos onde conseguimos nos livrar facilmente de situações complicadas.

Lembrei que alguém uma vez definiu Cadash como “o Dark Souls antes de Dark Souls existir”. Na hora, achei exagero, mas no meio daquela primeira caverna, a comparação começou a fazer todo o sentido.

O erro fatal: Subestimar o farm

Em muitos jogos de ação, as lojas oferecem itens que nem sempre mudam o curso da gameplay, muitas vezes são coisas que você encontra explorando o mapa. Cometi o erro de pensar assim em Cadash. Comprei uma coisinha ali e outra aqui, esperando uma “chuva de itens” pelo caminho. Spoiler: essa chuva nunca veio.

Se em Dark Souls o foco é esquiva e padrão de ataque, em Cadash o pilar fundamental é farmar. Minha cabeça estava condicionada a querer avançar na “porrada” sem estratégia, e o preço disso foi altíssimo. Cheguei em lutas decisivas completamente despreparada.

O Kraken, por exemplo, é o grande divisor de águas. Ele é tão difícil que pode fazer você pensar que o jogo não é para você. No meu caso, morrer trocentas vezes só me deu mais vontade de sentir o gostinho da vitória.

O trauma do Balrog e o recomeço necessário

A jornada seguiu entre envenenamentos constantes e a falta de dinheiro para armaduras. Mas o verdadeiro trauma atende pelo nome de Balrog.

Cheguei no chefe final sem ter upado HP suficiente, sem poções de vida reserva e, o pior de tudo, sem dinheiro para a Armadura de Ouro. O resultado? Apanhei sem chances de defesa. Cheguei à conclusão mais amarga para um jogador: eu precisaria começar o jogo do zero para montar uma estratégia melhor.

Embora doa no orgulho “colocar o rabo entre as pernas” e voltar ao início, o alívio foi imediato. Na segunda tentativa, mais consciente da economia do jogo e da necessidade de subir de nível, a experiência fluiu. O final, embora previsível, traz chefes com múltiplas formas — algo que claramente inspirou os jogos modernos que amamos odiar hoje em dia.

Curiosidades e os cortes de Cadash na versão de Mega Drive

Após finalizar, fui pesquisar as origens de Cadash e descobri que ele nasceu nos Arcades e foi portado também para o TurboGrafx-16.

Sendo honesta, a versão do Mega Drive é a mais “limitada” (ou “nerfada”). Perdemos personagens jogáveis (no Arcade são quatro classes: Guerreiro, Maga, Sacerdote e Ninja) e alguns detalhes de cenário. O jogo também sofre com diálogos repetitivos. Um exemplo clássico é salvar a menina do Kraken: após o resgate, a mãe dela continua pedindo para você salvá-la, como se nada tivesse acontecido. Esse tipo de descuido quebrou um pouco a minha imersão.

Por outro lado, o Mega Drive trouxe uma mudança que me salvou: a remoção do cronômetro. No Arcade e no TurboGrafx, você tem tempo para terminar a fase. Jogando no Mega, perdida como eu estava, o tempo teria sido o meu fim.

Vale a pena jogar Cadash nos dias de hoje?

Cadash é um jogo à frente do seu tempo. Ele mistura plataforma, RPG e hack and slash de uma forma que exige reflexos e inteligência financeira. Mesmo com as limitações do port, ele abriu minha mente para esse gênero no Mega Drive. Com certeza vale a pena conhecer e passar raiva com esse jogo!

O meu próximo desafio será Rastan Saga 2, mas quero saber de vocês: qual outro jogo de Mega Drive (ou dessa era 16 bits) vocês acham que eu deveria encarar? Deixem suas recomendações nos comentários!

Quem Teve O Surto do Dia

Fabiane Sutiak
Fabiane Sutiak
Eu sou a Fabi! Formada em Marketing Digital, com Pós Graduação em Psicopedagogia. Minha paixão é jogar vídeo games e falar sobre isso aqui no Surto do Dia, no Tiktok e as vezes no Youtube.

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