The Getaway: O “GTA em Londres” que desafiou o PlayStation 2

Compartilhe em suas redes!

Em um mundo onde GTA III e GTA Vice City reinavam absolutos no PS2, um título considerado por muitos como o “GTA em Londres” pode ter passado despercebido nas prateleiras. Talvez ele nem tenha chegado às bancas de camelô nos famosos CDs “3 por 10” que dominavam o Brasil, mas The Getaway tinha tudo para ser tão grande quanto seu rival da Rockstar.

Com gráficos muito mais realistas que Vice City, o jogo colocava o hardware do PS2 para “gritar” enquanto você se perdia pelas ruas detalhadas da capital inglesa. The Getaway é um clássico esquecido que merecia um remake ou, no mínimo, uma remasterização para os consoles atuais. Como isso ainda não aconteceu, aqui vai a minha recomendação para que você conheça essa pérola.

Um desenvolvimento ambicioso (e atrasado)

O ano era 2002 e a Sony lançava um exclusivo de peso. Originalmente, The Getaway deveria ter saído junto com o console, em 2000, mas o time de desenvolvedores enfrentou problemas técnicos. Eles perceberam que precisavam de mais tempo para entregar a experiência cinematográfica que planejavam.

E “cinematográfico” é a palavra de ordem aqui. As cutscenes foram gravadas com captura de movimentos e os personagens utilizavam o rosto de atores reais. A sincronia labial e a movimentação dos dedos eram impressionantes para a época — detalhes que nem GTA San Andreas conseguiria replicar anos depois.

Londres: Um mapa sem GPS

Londres foi recriada de forma minuciosa, o que causou atrasos no desenvolvimento devido às limitações do PS2. Enquanto a concorrência bloqueava partes da cidade, The Getaway tentava entregar uma Londres aberta e viva.

Um detalhe curioso: quem comprava o jogo original recebia um mapa físico de Londres. Se você jogava a versão alternativa, a dificuldade subia de nível. Isso porque não existe mapa na tela (HUD). Não há barra de vida, contador de balas ou minimapa. Tudo foi pensado para que você sentisse que estava controlando um personagem em um filme, e não em um videogame.

Para se localizar, você precisa prestar atenção nos diálogos e, ao dirigir, observar as setas do carro: elas piscam indicando para qual lado você deve virar para chegar ao objetivo. Se você não estiver totalmente imerso, não conseguirá concluir nem as primeiras missões.

O realismo que afasta e atrai

Enquanto GTA aposta no humor e em missões variadas, The Getaway é sóbrio e linear. É um jogo sério, violento (chegou a ser proibido na Austrália) e que não poupa o jogador de cenas de tortura e perseguições implacáveis.

Aqui estão alguns pontos que tornam a experiência única (e difícil):

  • Recuperação de fôlego: Para recuperar vida, você precisa encostar em uma parede e descansar. Mas não espere tranquilidade; os inimigos têm uma IA agressiva e vão te cercar rapidamente.
  • A barreira da língua: Como não havia legendas em português na época, entender os diálogos era vital para saber o que fazer. Sem isso, o jogo se tornava um enigma.
  • Mecânicas de carro: Os veículos são licenciados (Citroën, Peugeot, Fiat) e extremamente sensíveis. Algumas batidas podem inutilizar o carro, e os pneus estouram com facilidade. Além disso, você precisa se acostumar com a mão inglesa (dirigir pelo lado esquerdo), o que causa confusões constantes para nós, brasileiros.

A história de Mark e o vilão Charlie

O enredo foca em Mark, um ex-membro de gangue que tentou se regenerar. Tudo muda quando seu filho é sequestrado e sua esposa assassinada pela antiga gangue. Mark precisa voltar ao mundo do crime para resgatar o que lhe restou.

O destaque vai para o vilão, Charlie Jolson. Ele é extremamente carismático — o tipo de vilão que você ama odiar. Antes de conhecermos Vaas (Far Cry 3), Charlie já entregava uma atuação digna de cinema.

O legado e o silêncio da Sony

The Getaway vendeu mais de 3 milhões de cópias e teve uma sequência, Black Monday, que corrigiu muitos problemas de jogabilidade e introduziu três personagens jogáveis (algo que muitos acham que foi uma inovação exclusiva do GTA V).

Tivemos também Gangs of London para PSP, mas o tão esperado The Getaway 3 para PS3 foi “deixado de lado” pela Sony para focar em projetos como o EyePet e SingStar. Embora nunca tenha sido oficialmente cancelado, o projeto permanece no limbo.

Vale a pena jogar The Getaway nos dias de hoje?

Hoje, parte da equipe original de The Getaway está por trás de sucessos como L.A. Noire, que herdou essa pegada de “mundo aberto linear” focado em diálogos e investigação.

The Getaway foi um jogo que ficou anos pegando poeira na minha prateleira. Quando finalmente dei uma chance, encontrei uma obra envolvente e tecnologicamente avançada para o seu tempo. Se você gosta de jogos de máfia e quer ver o que o PS2 era capaz de fazer quando levado ao limite, dê uma chance para as ruas de Londres.

Você já conhecia The Getaway? Sabia da história dos desenvolvedores ou já tentou dirigir na mão inglesa sem bater o carro? Deixe sua recomendação nos comentários!

Quem Teve O Surto do Dia

Fabiane Sutiak
Fabiane Sutiak
Eu sou a Fabi! Formada em Marketing Digital, com Pós Graduação em Psicopedagogia. Minha paixão é jogar vídeo games e falar sobre isso aqui no Surto do Dia, no Tiktok e as vezes no Youtube.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *